Untitled Document
 
 Login
 Senha
Untitled Document Untitled Document
     
  Artigos
Agenda Cultural
Coluna Acadêmica
Coluna do Osmário
Cartões Virtuais
Galeria de Arte
Colunistas
Imagens da Cultura
Lentes Márcio Garcez
Memória de Sergipe
Personalidades
Canyon de Xingó
Receitas
Salve o Rio Sergipe
Festas Populares
Eventos
Turismo
 

 
 
     
 
 
     
 
 
     
 
 
     
 
 
 
Untitled Document
 
 

A Escola Americana de Aracaju

10/04/2002 15:58
Ester Fraga Vilas-Bôas Carvalho do Nascimento (*)

No final do ano de 1898, Aracaju recebeu a pri-meira instituição educacional protestante da qual se tem notícia — a Escola Americana. De origem presbiteriana, pois foram os primeiros protestantes a se instalarem em Sergipe, a escola foi organizada em 1886, em Laranjeiras, por missionários presbiterianos norte-americanos da Missão Central do Brasil. A Missão pretendia disseminar a nova religião, utilizando-se da evangelização e da educação como estratégias. Instalada inicialmente em 1886 na cidade de Laranjeiras, sob a direção do baiano e presbiteriano professor Manoel Nunes da Motta, a escola funcionou no andar térreo do Sobrado dos Protestantes, e, seguindo o padrão educacional da Missão, além de oferecer os cursos primário e secundário para ambos os sexos, recebia também alunos não-crentes e possuía internatos masculino e feminino. Com uma proposta educacional inovadora, apresentava um modelo escolar redimensionado na formação intelectual, moral, estética e religiosa da criança, com professores norte-americanos. Nas práticas pedagógicas, por exemplo, a memorização fora substituída pelo cultivo do espírito crítico aplicando o método científico; as matérias eram relacionadas entre si. Nas disciplinas oferecidas no secundário constavam Aritmética, Geografia, Inglês, Português, Francês, Prendas e Música.
Como no final da década de 1890, Laranjeiras vinha perdendo sua condição de centro cultural e econômico, além da seca que se abatera sobre aquela região, levando muitos donos de engenho à falência e impedindo-os de mandarem seus filhos para a escola, a Missão optou pela sua transferência para Aracaju, visto que já existiam trabalhos evangelísticos na capital e, naquele momento, a cidade estava crescendo e se mostrava promissora. Sob a direção do reverendo Finley, a partir do dia 6 de fevereiro de 1899, a Escola Americana oferecia à população estudantil de Aracaju um externato para ambos os sexos, com os cursos primário (20$000 réis por trimestre — 10 semanas) e intermediário (30$000 réis por trimestre — 10 semanas); além de um internato para o sexo feminino. A professora Clara Hough ainda ensinou em Aracaju aproximadamente por sete meses, seguindo para as escolas presbiterianas da Bahia, vindo a substituí-la a missionária-professora Elizabeth R. Williamson.
No ano de 1900, a Escola Americana já contava com 50 alunos matriculados e dois professores, oferecendo internato e externato para ambos os sexos, e funcionando na Rua Aurora, nº 7. As salas de aula possuíam carteiras de madeira e ferro vindas dos Estados Unidos. Foi considerado pelo Diretor da Instrução Pública da época, juntamente com o Colégio Brasil, o melhor estabelecimento particular de ensino em Sergipe. As anuidades dos cursos primário, intermediário e secundário eram, respectivamente, 80$000 réis, 100$000 réis e 120$000 réis. Já o internato, a pensão e o ensino custavam quatro prestações de 500$000 réis, sem a lavagem de roupa e a música instrumental. É interessante observar que a partir daquele mesmo ano de 1900, a escola oferecia o curso secundário. Em 1902, o reverendo Finley publicou a relação dos alunos aprovados naquele ano e dentre eles estavam José de Calasans Filho, filho do general José de Calasans, e Jackson de Figueiredo, futuro articulador do pensamento católico conservador brasileiro no século XX e fundador do Centro D. Vital — centro de estudos criado pelos católicos com a finalidade de defender o pensamento desta religião. Em 1904, a Missão transferiu o reverendo Finley e Elizabeth Williamson para a Bahia, fechou os internatos da Escola Americana, oferecendo somente o curso primário e designou a professora Anne Belle Mc Pherson para dirigi-la, ficando até 1905. Quatro anos depois, a escola era dirigida por Jovina Moreira de Carvalho, normalista sergipana e presbiteriana formada pela Escola Normal do Estado de São Paulo.
A estratégia da Missão de enviar alunos para os Estados Unidos com o objetivo de aprenderem os novos métodos de ensino, tornando-se veiculadores da cultura norte-americana no Brasil, também foi utilizada em Sergipe, como foi o caso da professora Penélope Magalhães — responsável pela organização do Jardim de Infância Augusto Maynard — e do reverendo Antônio Almeida.
Após o ano de 1911, a Escola Americana desapareceu dos registros oficiais do Estado e dos jornais. No Livro de Atas da Missão Central do Brasil (1904-1938), a Escola Americana de Aracaju só apareceu nos orçamentos até o ano de 1913. É interessante notar que o fechamento da escola deu-se num momento em que a vida cultural e a área educacional tomavam um novo alento em Sergipe. Exemplo disso foi a inauguração da Escola de Aprendizes de Artífices em 1º de maio de 1910. Outro acontecimento que marcaria a vida cultural sergipana seria a criação da Diocese de Aracaju naquele mesmo ano. Na mesma época, os colégios particulares voltaram a proliferar, destacando-se, dentre outros, o Grêmio Escolar sob a direção de Evangelino Faro, fundado em 1906, em Laranjeiras, e transferido para Aracaju em 1909; o Colégio Tobias Barreto, fundado em Estância, em 1909 e transferido para Aracaju, em 1913, sob a direção do professor José Alencar Cardoso; o Colégio Salesiano N. S. Auxiliadora, fundado em 1909, em Aracaju; o Colégio Senhora Sant’Ana e o Colégio N. S. de Lourdes, também em Aracaju.


(*) Doutoranda em História da Educação da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo — PUC/SP; Mestre em Educação pela Universidade Federal de Sergipe. Professora da Rede Estadual de Ensino de Sergipe.


 


.
Enviar conteúdo por email
Versão para impressão