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Memória 24.02.2002

23/02/2002 14:02
Osmário Santos

Georlize: uma delegada destemida

Jogou futebol, apitou futebol foi uma das primeiras mulheres a participar do Tribunal de Justiça Desportiva, a primeira mu-lher a assumir titularidade das delegacias de Furtos e Roubos de Veículos e Homicídios e a primeira mulher a assumir cargos de direção da Polícia Civil e todo seu lado político e familiar.

Osmário Santos

Georlize Oliveira Costa Teles nasceu a 22 de janeiro de 1967, na cidade de Major Isidoro/Alagoas. Seus pais: Adauto Vieira da Costa e Joana D`arc Oliveira Costa.
O amor pela vida, o desejo de vivê-la intensamente e aplicar o respeito ao outro foram exemplos de vida passados pelo seu pai.
Sua querida mãe, uma guerreira, lutadora, protetora, decidida, leal, fiel, deixou como herança para os sete filhos o legado da dignidade, do respeito e da justiça.
Georlize da infância tem a as melhores recordações. “Cresci brincando com outras crianças, e fazendo nossas próprias brincadeiras das quais todos participavam sem distinção de classe social, pois nasci no sertão das Alagoas, cidade despro-vida de qualquer estrutura estatal de atendimento as necessidades básicas das pessoas”.
Do nome da primeira professora não se lembra, porém se recorda do apelido: Nal. Conta que era uma pessoa muito sim-ples, provavelmente leiga, e que dizia “bombril” como sinônimo da marca de esponja de aço e “vrido” ao invés de vidro. “Isso me deixava com dúvidas, pois ouvia as pessoas falarem diferente na televisão”.
Iniciou o curso primário no ano de 1974 e como já havia aprendido a ler através do programa “Vila Sésamo” na televisão, foi transferida para o segundo ano o que lhe causou prejuízo no final, pois teve que esperar completar os onze anos de idade para poder cursar o ginásio, já que tinha terminado o primeiro tempo dos estudos com 10 anos de idade.
No Colégio Santo Antônio do Sertãozinho realiza o curso ginasial que acontece com várias interrupções em virtude do falecimento de sua mãe, que se deu no Rio de Janeiro. “Este período foi o mais crítico da minha vida, coincide com o perío-do em que minha mãe esteve bastante doente, culminando com seu falecimento. O que fez com que tivéssemos que mudar de cidade. Por isso não tive oportunidade de participar das diversas atividades que poderia desenvolver durante o ginásio”.
Inicia o segundo grau em Alagoas e como teve necessidade de vim morar em Aracaju, passa a estudar no Colégio Atheneu Sergipense. “Era excelente a época, eu gostava muito, entretanto por conta de uma funcionária que veio a me desrespeitar pedi para mudar de colégio, o que fez com que concluísse o curso no Colégio Unificado. Tomei esta atitude por entender que o respeito deve estar presente em todas as relações humanas”.
Do tempo da juventude boas lembranças: “Gostava de nossas brincadeiras, principalmente dos piqueniques no campo, tomar banho de rio e beber água de “barreiro” (buracos cavados para acumular água)”.
A vontade de fazer o curso superior de Direito começou a povoar sua mente desde cedo, pois via nos filmes da televisão o advogado como sendo alguém que buscava a justiça.
Faz vestibular em 1997 com sucesso e se matricula na Faculdade de Direito da Universidade Federal de Sergipe. No pri-meiro contato com a universidade um contratempo. “Na aula inaugural questionei e me indispus com um “professor” que humilhava toda a turma (era um trote!)”.
Conta que o período do curso universitário foi o mais produtivo de sua vida. “Participei de tudo que tinha direito: Conep, Consu, Centro Acadêmico Sílvio Romero e DCE”.
Em razão de já trabalhar como Delegada Adjunta somente faz o estágio curricular.
Desde o sétimo período da faculdade, já trabalhava como Delegada Adjunta na Polícia Judiciária do Estado de Sergipe, trabalho que conseguiu a partir de uma solicitação que fez a um colega, uma vez que estava em vias de se formar e não via possibilidade de estagiar, pois tanto nos escritórios de advocacia, no Judiciário e no Ministério Público, os indicados eram sempre pessoas que tinham algum vínculo com os profissionais que lá trabalhavam. “Inicialmente entrei receosa, pois tinha medo da Polícia, o conceito era muito ruim, entretanto com o desenvolver do trabalho, pude ver a grandeza e a importância da função policial no que concerne a persecução criminal e até mesmo no que atine ao próprio acesso à Justiça por parte do cidadão. Marcou-me sobremaneira a solidariedade dos colegas e o respeito que a comunidade tinha pelo meu trabalho”.
Tempos depois foi efetivada no emprego, constitucionalmente investida.
Considera seu lado de professora como algo fascinante. “Atuei e atuo com muito prazer porque acho que o maior momento de crescimento é quando estamos em sala de aula, pois na troca de experiência com os alunos eu ensino e aprendo”.
Tendo concluído o curso de Direito em 91, nunca advogou, em razão de que, desde o momento da formatura já respondia como delegada adjunta de polícia, havendo assim, um impedimento legal. “Como estudante impetrei um Hábeas Corpus em favor de um senhor que entendi estar preso injustamente. Como sempre me insurgi contra aquilo que achava injusto, resolvi defender esse cidadão e tudo fazer para tirá-lo da Penitenciária, tendo conhecido êxito graças à ajuda de uma pessoa maravilhosa que conheci, entre tantas que me ajudaram, o desembargador aposentado Dr. Antônio Barreto, que entenden-do ilegal a prisão, não mediu esforços para me ajudar. Não lembro o nome deste cidadão, lembro apenas onde residia, uma vez que com ele não mantinha qualquer vínculo, apenas me indignei com o ato que cassara sua liberdade”.
Com a realização em Sergipe do primeiro concurso para Delegado, mais uma vez consegue uma vitória. “Essa aprovação pelas graças de Deus, considerei a mais importante de todas, pois a menina do sertão de Alagoas havia conseguido por seus esforços definitivamente um lugar ao sol, e de tudo isso o que mais me orgulhava era saber que foi com grande luta e acima de tudo muita dignidade. Agora efetivamente eu podia servir a sociedade, uma vez que apesar de já trabalhar como delegada, era comissionada, podendo ser exonerada a qualquer tempo. E uma das coisas que mais me orgulha na profis-são é o fato de fazer parte das pessoas que inauguraram uma carreira jurídica que possui o diferencial de desde o seu nascedouro ser formada por profissionais constitucionalmente investidos. Não há um Delegado de Polícia que tenha entra-do na instituição por outra porta que não a do concurso público”.
Georlize nunca entendeu que o fato de ser mulher poderia torná-la diferente dos demais profissionais. “Encarei tudo que fiz como muito profissionalismo e responsabilidade. Talvez por isso pratiquei atividades vistas como exclusivamente do Uni-verso masculino, e em todas fui bem sucedida, como por exemplo: jogar futebol, apitar futebol, ser uma das primeiras mu-lheres a participar do Tribunal de Justiça Desportiva, ser a primeira mulher a assumir titularidade das delegacias de Furtos e Roubos de Veículos e Homicídios, ser a primeira mulher a assumir Cargos de direção da Polícia Civil.
De ser a única delegada que passou por todos os setores da Polícia Civil: “Com certeza me orgulho das funções que exerci, pois entendo que pude de alguma forma ajudar a Instituição. O meu maior orgulho é ser delegada de polícia, e assim ter a possibilidade de ajudar a comunidade, pois vejo a polícia como a Instituição que tem o dever maior de garantir a liberdade e a segurança do cidadão”.
Sua incursão na política: “Sempre militei em defesa das causas sociais desde a adolescência, talvez até de forma precoce, uma vez que era uma menina do interior, onde a discussão política é coisa de homem e ainda assim participava, mesmo sem ser considerada a minha opinião. Na Universidade atuei de maneira mais efetiva no movimento estudantil, e por várias vezes chamada a ingressar nas fileiras de um Partido político, decidindo fazê-lo somente no ano dois mil, quando então me candidatei ao cargo eletivo de vereador, e para minha surpresa fui a mais votada do partido.
Conheceu o marido Júlio César Teles dos Santos no trabalho e foi amor à primeira vista. “Começamos a namorar e um ano depois estávamos casados, temos dois filhos maravilhosos: Júlio César e João Victor, dádivas de Deus. Estive grávida três vezes, porém na primeira gravidez a criança nasceu sem vida, o que foi traumático, mas também serviu como lição de vida, onde aprendi a perder o que eu mais queria na vida que era a possibilidade de ser mãe, entendi naquele momento que precisamos respeitar a vontade de um ser maior que é Deus apesar de ter sido o segundo golpe mais doloroso da minha vida, o primeiro havia sido a perda da minha mãe aos dezesseis anos”.


 


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