CARDIOLOGIA
Fatores de Risco
FATORES MODIFICÁVEIS

Bullet3.gif (164 bytes) Tabagismo

É um dos principais fatores de risco para as doenças cardiovasculares, incluindo a doenças arterial coronária., acidente vascular cerebral, morte súbita, doença arterial periférica e aneurisma de aorta. O tabagismo, por ser um estímulo externo e de características comportamentais, é a principal causa isolada de morte que podemos prevenir, ao contrário dos outrso principais fatores em que o controle do risco é relativo e amenizado em diferentes graus de eficácia. Os efeitos deletérios do tabagismo estão diretamente relacionados com o número de cigarros fumados e o tempo de consumo, e pode ser mais importante no sexo feminino por reduzir a relativa proteção às doenças cardiovasculares. A diminuição do tabagismo no sexo masculino auxiliou significativamente na redução da prevalência da doença arterial doronária nos homens. Nas mulheres, não foram observados os mesmos resultados, devido à tendência do aumento do tabagismo, principalmente nas mais jovens. A mortalidade por doença arterial coronária é 40 vezes maior nas mulheres fumantes que fazem uso de contraceptivos orais. Em nossa experiência, o tabagismo foi o fator de rsico mais importante nas mulheres jovens com doença arterial coronária estável. O risco de doença arterial coronária declina rapidamente em ambos os sexos após a interrupção do tabagismo. Estudos recentes mostram, também, maior morbidade e mortalidade por doença aterosclerótica no fumante passivo.

Bullet3.gif (164 bytes) Hipertensão Arterial Sistêmica

É um importante fator de risco para as doenças cardiovasculares. O controlde da pressão arterial tem relação direta com a redução da incidência de eventos cardiovasculares. Estudos epidemiológicos mostraram uma associação direta entre a hipertensão e a incidência de doenças cardiovasculares no sexo masculino e no feminino. O risco de doença cardíaca é quatro vezes maior nas mulheres hipertensas, e três vezes maior nos homens, quando comparadas com as normotensas. Entre 18 e 74 anos, a hipertensão está presente em 25% das mulheres branças e em 39% das mulheres negras. Existem dois períodos críticos para o aparecimento da hipertensão nas mulheres: na gravidez, principalmente nos últimos três meses, e após a menopausa, quando mais da metade das mulheres têm hipertensão. Com mais de 65 anos, aproximadamente 83% das mulheres negras e 66% das mulheres brancas têm algum grau de hipertensão. A resposta ao tratamento da hipertensão arterial é menos eficaz no sexo feminino, podendo inclusive ser prejudicial. Análise detalhada nos resultados de um importante estudo mostrou que o tratamento foi deletério para as mulheres brancas, apesar de reduzir a mortalidade em homens e mulheres negros. A análise de vários estudos mostrou que o tratamento da hipertensão arterial leve e moderada deve ser realizado mais criteriosamente, e preferencialmente indicado em pacientes de alto risco para doenças cardiovasculares.

Bullet3.gif (164 bytes) Dislipidemia

É outro importante fator de risco para doença arterial coronária. A extensão da arteriopatia aterosclerótica é diretamente proporcional aos níveis séricos de colesterol. Como a lesão aterosclerótica começa a se desenvolver na primeira década de vida, o controle precoce do colesterol é recomendado. Importante, também, a análise das frações HDL e LDL do colesterol. Preconizam-se níveis séricos do colesterol total menores de 240mg/dL, HDLÊ 35mg/dL, LDLÍ 130 mg/dL e triglicéridesÍ 250mg/dL. A prevenção nos pacientes com doença arterial coronária deve ser maior e objetivar a redução do LDL-colesterol para níveis menores que 100mg/dL25. Discute-se a validade da análise das alipoproteínas e da lipoproteína(a)26. No sexo masculino, cada 1¢ de redução do colesterol é aompanhado de 2% a 3% de redução no risco de doença arterial coronária. No sexo feminino, vários estudos mostraram relação direta entre entre os níveis séricos de colesterol e indireta com os níveis do HDL-colesterol com a prevalência de doença arterial de doença arterial coronária. Porém, em outros estudos, a redução dos níveis séricos do colesterol não foi consistente com a redução da incidência de doença arterial coronária. A hipertrigliceridemia é ainda um fator de risco discutível para doença arterial coronária, mas que se torna importante associado com níveis séricos reduzidos do HDL-colesterol. Porém, na mulher, os estudos são ainda insuficientes para estimar a redução do risco para doenças cardiovasculares com o tratamento das dislipidemias.

Bullet3.gif (164 bytes) Diabetes Melito

As doenças cardiovasculares são responsáveis por aproximadamente 80% dos óbitos nos diabéticos. Dois são os principais tipos de diabetes melito: a insulinodependente e a não-insulinodependente. A primeira é a mais grave, mas a segunda é a forma mais freqüente, principalmente nas mulheres após os 45 anos, provavelmente devido ao maior número de mulheres na população idosa. O diabetes é um importante fator de risco para as mulheres, visto que por comprometer o sistema vascular, em especial a camada endotelial, perde a relativa proteção vascular proporcionada pelos estrógenos. A morbidade e a mortalidade pela diabetes indulinodependente são semelhantes para ambos os sexos. Porém o estudo de Framingham mostra que o risco relativo para mortalidade por doenças cardiovasculares é três a sete vezes maior nas mulheres diabéticas, e duas a quatro vezes maior nos homens diabéticos, respectivamente, em relação às mulheres e homens não-diabéticos. As doenças cardiovasculares aumentam significativamente nos pacientes diabéticos insulinodependentes com controle inadequado da glicemia, freqüentemente associado com dislipidemia e hipertensão arterial. O controle intensivo da glicemia reduz o número de fatores de risco associados nos pacientes com diabetes insulinodependente, mas parece não ter efeito sobre a obesidade e hipertensão arterial. No diabético não-insulinodependente é comumente associado o aumento dos níveis de triglicérides, redução do HDL-colesterol, aumento na prevalência de hipertensão arterial, obesidade central e hiperinsulinemia. Essa associação de fatores de risco é comum em ambos os sexos, mas predomina no sexo feminino.

Bullet3.gif (164 bytes) Outros Fatores de Risco

Vida sedentária, obesidade, estresse, personalidade tipo A e profissões de risco fazem parte da complexa participação dos fatores de risco no desenvolvimento e na progressão da lesão aterosclerótica.

Reposição Estrogênica

Estudos recentes demonstraram que a reposição estrogência nas mulheres na pós-menopausa reduz em quase 50% a incidência de eventos cardiovasculares, osteoporose e sintomas de menopausa. O estrógeno diminui os níveis séricos do LDL-colesterol, tem características antioxidativas sobre o LDL-colesterol, aumenta o HDL-colesterol, as substâncias vasodilatadoras derivadas do endotélio e o desempenho físico, com redução da isquemia induzida pelo exercício. O principal efeito adverso relacionado da reposição estrogência é a hiperplasia endometrial, favorecendo o câncer do endométrio e a litíase biliar. Outro efeito possível, mas discutível, é o câncer de mama. Não existe consenso se a reposição estrogênica associada com a progesterona reduz os efeitos colaterais relacionados ao estrógeno. Em resumo, a conduta atual é da utilização associada, estrógeno e progesterona, nas mulheres de alto risco para doenças cardiovasculares na pós-menopausa, e o uso isolado do estrógeno somente nas mulheres histerectomizadas, e sob constante controle ginecológico.

Prof. Ramires


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