Movimento Popular e Histórico de Canudos

Quem somos

Da Denominação, Regime Jurídico, Sede Fórum e Duração

O Movimento popular e Histórico de Canudos, também denominado Movimento Histórico de Canudos, Movimento Popular de Canudos, Canudos Popular ou simplesmente Movimento de Canudos, criado em 1981, em Monte Santo e região, no Sertão de Canudos, Estado da Bahia, é uma sociedade civil sem fins lucrativos, com personalidade jurídica de direito privado, autonomia patrimonial, financeira e administrativa, e com duração indeterminada.

O Movimento de Canudos tem sede na casa de Canudos, à rua D. Pedro I, nº 1184, em Euclides da Cunha, Estado da Bahia.

Dos Objetivos

O Movimento de Canudos tem como patronos Antonio Vicente Mendes Maciel, o Antonio Conselheiro, e os mártires de Canudos, e por objetivos:

1) Congregar pessoas engajadas nas propostas da comunidade do Belo Monte, visando desenvolver e fortalecer as formas de organização e de resistência do povo e de comunidades igualitárias e livres;

2) resgatar a memória dos mártires da guerra de Canudos e do beato Antonio Conselheiro, o significado político-religioso dessa guerra, bem como pesquisar, aprofundar e desenvolver estudos sobre as experiências do Belo Monte e de outras, passadas e presentes;

3) promover trabalhos de conscientização para que o homem e a mulher do campo e da cidade sejam sujeitos de sua própria história;

4) estimular e preservar a participação cultural do povo da região do Sertão de Canudos, reconhecendo a importância da contribuição social de outras regiões;

5) apoiar a luta pela conquista coletiva da terra, pela defesa dos fundos de pasto, pela construção de açudes, aguadas, introdução de plantios, melhorias e outros, visando combater a seca, a fome e a sede, preservando a caatinga e o meio ambiente;

6) apoiar as lutas do índio, do negro, da mulher, para que conquistem efetivamente os seus direitos individuais e coletivos;

7) apoiar e promover a luta dos trabalhadores urbanos, dos camponeses, dos movimentos populares em geral, pela conquista dos seus direitos fundamentais e garantia da qualidade de vida;

8) lutar pela conquista do ensino público, gratuito, laico, de qualidade, em todos os níveis e para todos, buscando implementar as escolas populares;

9) desenvolver experiências educacionais e profissionais alternativas voltadas à criança e ao adolescente, procurando, inclusive, prevenir contra a violência, contribuindo e apoiando suas formas de organização, principalmente com base no Movimento de Criança existente;

10) manter intercâmbio com entidades congêneres e afins, a nível local, nacional e internacional, para a troca de experiências, bem como celebrar convênios com instituições públicas e privadas, nacionais e estrangeiras, com vistas, inclusive, à capacitação de recursos;

11) realizar as Assembléias Camponeses, encontros, seminários, palestras, eventos artísticos, produções ou outros, alusivos a Canudos e às experiências populares; e

12) realizar, anualmente, a Celebração Popular pelos Mártires de Canudos, no dia 5 de outubro ou em data que lhe seja próxima, alusiva ao extermínio da comunidade do Belo Monte, em 1897, em local remanescente da ocupação, preferencialmente no Alto do Beatinho, como já vem ocorrendo desde o ano de 1984.

Dos Princípios
O Movimento de Canudos tem como princípios:

a) Inspirar-se na experiência comunitária do Belo Monte, nas primeiras comunidades bíblicas, nas comunidades dos índios, negros, camponeses, nos movimentos populares, desenvolvendo uma prática profética que ajude o povo trabalhador a administrar sua fé e suas lutas concretas;

b) refletir e aprofundar a mística do Sertão de Canudos, enfatizando os símbolos, a cultura, os costumes e os valores da região, e a tradição de luta e de resistência do povo camponês; e

c) congregar pessoas do campo e da cidade de qualquer local, sexo, raça, credo religioso, tendência e corrente de pensamento respeitando seus direitos e mantendo total independência de qualquer hierarquia, de ideologia e de interesses político-partidário.

Noventa anos depois

Quase noventa anos se passaram e Canudos ainda era tema proibido. Estava restrito ao ambiente acadêmico, distante do povo do Sertão. Nas escolas, ensinava-se que Canudos era um ajuntamento de fanáticos religiosos, desordeiros, assassinos e loucos. O medo da guerra, da matadeira, eram as lembranças que viviam espalhadas por todos os cantos do Sertão e colocavam Canudos e Antonio Conselheiro sob o manto azul do Cocorobó.

A partir de 1981, com a chegada do Pe. Enoque Oliveira, a Paróquia de monte Santo/Ba, começou uma nova etapa da História de Canudos. O tema passou a ser debatido nos meios populares. Inserido no contexto das comunidades eclesiais de base - CEB'S, surgiu o Novo Movimento Histórico de Canudos, aglultinando camponeses, artistas, sindicalistas, religiosos e pessoas engajadas e solidárias com as lutas do povo do Sertão.

Sob a coordenação do Novo Movimento, foi realizado, no dia 27 de julho de 1984, a Missa em louvor a Canudos, às margens do Açude de Cocorobó, palco da terrível guerra. Participaram as dioceses de Juazeiro, Senhor do Bonfim, Paulo Afonso (todas da Bahia), envolvendo milhares de trabalhadores do campo e da cidade, com o intuito de discutir o significado de Canudos e relembrar os mártires da guerra.

Noventa anos depois

Quase noventa anos se passaram e Canudos ainda era tema proibido. Estava restrito ao ambiente acadêmico, distante do povo do Sertão. Nas escolas, ensinava-se que Canudos era um ajuntamento de fanáticos religiosos, desordeiros, assassinos e loucos. O medo da guerra, da matadeira, eram as lembranças que viviam espalhadas por todos os cantos do Sertão e colocavam Canudos e Antonio Conselheiro sob o manto azul do Cocorobó.

A partir de 1981, com a chegada do Pe. Enoque Oliveira, a Paróquia de monte Santo/Ba, começou uma nova etapa da História de Canudos. O tema passou a ser debatido nos meios populares. Inserido no contexto das comunidades eclesiais de base - CEB'S, surgiu o Novo Movimento Histórico de Canudos, aglultinando camponeses, artistas, sindicalistas, religiosos e pessoas engajadas e solidárias com as lutas do povo do Sertão.

Sob a coordenação do Novo Movimento, foi realizado, no dia 27 de julho de 1984, a Missa em louvor a Canudos, às margens do Açude de Cocorobó, palco da terrível guerra. Participaram as dioceses de Juazeiro, Senhor do Bonfim, Paulo Afonso (todas da Bahia), envolvendo milhares de trabalhadores do campo e da cidade, com o intuito de discutir o significado de Canudos e relembrar os mártires da guerra.

Resposta dos opressores

Houve uma imediata reação por parte da imprensa, dos políticos e de todos os agentes que contribuíram para a destruição de Canudos no passado. Visavam chamar a atenção das autoridades competentes, no sentido de coibir as atividades e interpretações dadas à guerra e Antonio Conselheiro, pelo Novo Movimento Histórico de Canudos.

O jornal "A Tarde", de Salvador, edição de 26.07.84, analisou as atividades preparatórias da Missa em Louvor a Canudos, como repetição dos atos de "fanatismo", tipo "manifestação de histórico caráter revanchista". O editorial "Preparando a Guerrilha", de estilo mal-intencionado, confirma a posição agressiva de certos grupos econômico-político da Bahia. Para esses grupos, Canudos era assunto encerrado, tema maldito. Como no passado, recusaram-se a ouvir a ordenação do Movimento para poder assumir uma posição correta sobre as Manifestações de Canudos.

A Revista "Veja", de 08.08.84, noticiou como "Missa de Herege", ao contrário da afirmação de Dom Angélico, bispo de São Paulo, citado na mesma matéria: "Canudos e Conselheiro têm papéis preponderantes na tarefa de revisão da História do Brasil.

O "Jornal de Brasília", de 12.08.84, fez a seguinte colocação: "Canudos não foi um movimento de fanáticos e ignorantes, mas uma resistência coletiva sob a liderança de um homem que era calejado na defesa dos oprimidos... Conselheiro era rábula, um líder popular e carismático que aglutinou o povo na defesa dos seus direitos fundamentais de sobrevivência. A história oficial, em relação ao episódio, estava toda errada e agora chegou a hora do povo, principalmente do Sertão, saber a verdade".

O Jornal "O Tabuleiro", da região, acrescenta: "Foi o latinfúndio aliado ao capitalismo... o responsável direto pelo massacre... as águas cobriam a verdade porque parecia que o governo estava envergonhado pelo que fez... Das cinzas e escombros levanta-se novamente Canudos. Quase 100 anos e condenada pelos senhores das terra a não figurar nas páginas da História. Renascem com maior intensidade, no espírito do sertanejo, o desejo e a crença da justiça social... O problema da terra continua exigindo que a resistência do sertanejo vá além das fronteiras da capacidade humana, tal como se deu com os discípulos de Conselheiro" (out. 1985).

O avanço do nível de consciência das massas camponesas e os apoios recebidos pelo Movimento, obrigou os políticos da região de Canudos, identificados com

as velhas tradições de carrancismo do Sertão, a atualizar as suas táticas com relação a Conselheiro e sua gente. Até o início dos anos 80, temas ligados às lutas camponesas pela conquista da terra, como cangaço, pau de colher, Canudos, etc., carregavam um forte conteúdo negativo em todas as camadas sociais do Sertão, principalmente nas áreas onde passaram as tropas do Exército. Os políticos, quando tocavam nesses assuntos, lembravam que o governo tinha força para intervir em qualquer atividade que revivesse os movimentos de libertação do passado. Estas advertências são feitas ainda hoje, seja através da apresentação de armas que já foram usadas para destruir as populações do passado, seja através das pressões diretas sobre a participação das pessoas nas comunidade de base, em partida de oposição e, principalmente, no Movimento de Canudos.

De 1982 pra cá, quando o nome e a luta de Conselheiro são arrancados do fundo do açude e passados de boca em boca pelo povo humilde, as classes dominantes trocou a linguagem do atraso por uma linguagem adaptável à nova realidade. O Conselheiro louco, agitador, fanático, subversivo, é agora apresentado às altas autoridade e aos militares como um estilo diferente, mais identificado com os interesses da sua classe: místico, beato, que agora pode ser invocado nos palanques, para contrapor ao Conselheiro Profeta das massas empobrecidas. Já que o povo deu novos títulos ao Conselheiro, o poder econômico se apressa para não ficar por baixo.

No Cumbe (Euclides da Cunha), Conselheiro vira nome de hotel de luxo; em Monte Santo, cidade sede do planejamento das operações que incendiaram o Belo Monte, e merecedor de uma escultura em madeira, exposta na Praça da Matriz, juntamente com o busto do Marechal Bittencourt e o canhão utilizado na guerra contra Canudos; em Uauá, o Conselheiro é conduzido à feira do Município como peça de atração turística. Se na visão passada, "Canudos não ficará pedra sobre pedra...", por decreto do governador João Durval, foi criado em 1986, o Parque Estadual de Canudos, com a implantação do Distrito Ecoturístico-Cultural de Canudos. Atualmente, já existe a tentativa de se criar o Parque Nacional de Canudos, pelo governo federal.

Conclui-se que, se não é mais possível preservar a visão oficial dos acontecimentos de Canudos, se não dá pra segurar o povo nos currais, faz-se urgente despertar uma mentalidade cultural-folclórica, a fim de combater as lutas populares na região. A tese se resume nisso: se o silêncio vazou as barreiras do Vaza Barris, que seja a verdade falsificada, camuflada, antes de ser conhecida pelo povo que tem interesse em resgatar a experiência de Canudos.

O Movimento Histórico de Canudos

Até 1987, o Novo Movimento Histórico de Canudos, realizou diversas atividades religiosas, artísticas e culturais, além de 4 missas pelos mártires de Canudos,crescendo e se espalhando

pelo país e pelo mundo. Com o apoio da Santa Madre Igreja, religiosos com Dom Pedro Casaldaliga (bispo de São Félix do Araguaia/Mt), Dom José Rodriues (bispo de Juazeiro/Ba), Dom Jairo Matos (Senhor do Bonfim/Ba) e tantos outros, ainda contando com o apoio de Universidades, com a UFS e UFF, em projetos de pesquisa e participação direta dos pesquisadores na coordenação dos trabalhos do MPC. Nestes primeiros anos de existência e atuação, a imprensa local, nacional e internacional, notificaram a trajetória do Novo Movimento Histórico de Canudos e dos seu líder fundador, Pe. Enoque Oliveira.

Após 1987, o Pe. Enoque Oliveira foi afastado de suas funções sacerdotais em Monte Santo/Ba, local onde se concentrava toda a estrutura do Movimento. A Igreja, enquanto instituição hierarquizada (por mais progressista que seja na região), mais uma vez ataca Canudos. Não bastasse a contribuição que deu no passado, com o aval da Missão Capuchinha do frei Evangelista, para a destruição de Canudos. Enquanto o Novo Movimento Histórico de Canudos foi benéfico à instituição, era elogiado pelo bispo de juazeiro, Dom José Rodrigues, durante viagem de 3 dias a Monte Santo, em outubro de 1986. Mas, a partir do momento que o trabalho colocou em risco as estruturas das forças políticas fundiárias da região, esta mesma Igreja expulsa o padre, classificando o trabalho como uma "Experiência do Diabo".